No primeiro ano da era Taihe do Grande Xia, o mundo atingiu o auge da prosperidade e da agitação. O imperador de Jadejing buscava a imortalidade, enquanto a imperatriz rezava aos budas nos palácios. A família Lu acabara de construir uma torre de aranha capaz de atravessar montanhas; a escola Mo criou um pássaro voador que dominava os céus. Entre os nobres das nove classes superiores, surgiu um sábio do coração que perpetuou os ensinamentos antigos. Nas nove classes inferiores, apareceu um espadachim que abriu novos horizontes. Os mestres da guerra com suas lâminas exterminavam multidões; os eruditos, com suas palavras, podiam matar. Os segredos do yin-yang desafiam o destino, e os estrategistas perturbam rios e montanhas. Os bárbaros do norte ameaçam avançar para o sul, e antigos deuses de eras passadas querem abrir os mares. Nos salões do poder, abundam buscadores de fama e fortuna; nas margens do mundo, não faltam almas justas e valentes. Reis e derrotados disputam o presente, enquanto palavras sutis e virtudes elevadas atravessam gerações. As lutas pelo mundo nascem do desejo de fama e riqueza, mas a justiça verdadeira reside no coração das pessoas.
A luz fria da tela de jade verde criava um véu etéreo, enquanto cortinas carmesim suavizavam o leito onde duas figuras repousavam frente a frente. Ao abrir os olhos, o que se apresentou a Tiago Zhou foi um mar de alvura translúcida, o corpo sinuoso de uma bela mulher, de cintura tão flexível quanto uma serpente, deitada junto a ele. Sob as sobrancelhas delicadas como ramos de salgueiro, os olhos dela ondulavam com um misto de mistério e sedução.
A cena poderia facilmente evocar devaneios, mas Tiago Zhou não sentiu qualquer prazer.
Afinal, era ele quem estava por baixo.
O desconforto aumentava ao perceber que a mulher, de nome Guan Guan, segurava uma adaga rente ao seu abdômen, sua lâmina fria como geada, avançando lentamente, ameaçadora.
— Ora, o cavalheiro despertou? Guan Guan pensava que dormiria um pouco mais... — disse a mulher, com um sorriso encantador.
Tiago Zhou lutava contra a ressaca e o torpor do corpo. A mulher não o matara quando ele estava desacordado, e mesmo agora, ao vê-lo desperto, mantinha um tom de zombaria, como um gato brincando com o rato antes do bote final.
Ela tinha certeza absoluta do próprio controle: poderia dominá-lo ou matá-lo a qualquer momento.
O mais importante agora era acalmá-la e entender a situação. Sem se mover, Tiago indagou em voz baixa:
— O que deseja que eu faça?
— Como sabe que preciso de algo de você?
— Não é óbvio? Segura uma faca em meu ponto vital, mas não me mata. Só pode ser para extrair algum proveito. Se eu cooperar, é melhor para ambos.
— Afinal, só temo