No encontro no bar, ela era uma dançarina caída nos braços da vida mundana, e com uma única ordem dele, foi levada ao castelo. Desde então, tornou-se o pássaro enjaulado dele, seu canário dourado. Mas ela nunca foi alguém que se submetesse facilmente, desafiando sua dignidade repetidas vezes. Ele também não aceitava perder, obrigando-a, assinando contratos com ela, calculando cada passo, tudo para vê-la ceder. Contudo, a pequena lebre branca não era obediente, sempre se opunha a ele, e, em algum momento, ele acabou caindo nas armadilhas dela, sendo conquistado pela comida que ela preparava. Se a pequena lebre queria dançar para outros, ele permitia, com exceção de homens, mulheres com tendências homossexuais e meninas abaixo dos oito anos. Quando ela se irritava e ameaçava fugir de casa, ele arrumava tudo para ir atrás dela, eliminando as rivais. Se ela queria aprender balé, ele rapidamente deixava de lado a postura de executivo e se tornava seu professor. — A esposa mimada e amada, em andamento.
O que se via ao redor era apenas escuridão.
Mas, não era uma escuridão completa.
No fundo desse breu, um par de olhos ardentes e luminosos fixava-se intensamente nos movimentos sobre a cama, como um predador espreitando sua presa.
De repente, da elegante cama europeia, veio o som sutil do atrito dos lençóis.
“Que lugar é este...?”
A voz, seca como se estivesse em chamas, escapou dos lábios.
Com dificuldade, ela abriu os olhos, e, então, a escuridão infinita a invadiu de forma avassaladora.
Sentia que seu corpo inteiro era consumido pelo fogo.
A garganta ardia, como se estivesse queimando, e só ao abrir a boca e respirar profundamente conseguia algum alívio.
“Mulher, finalmente acordou.”
A voz masculina, arrogante e indomável, ecoou no silêncio vasto da escuridão, tornando o ambiente ainda mais estranho.
“Quem... é você?”
Assustada, ela tentou mover-se, querendo distanciar-se daquela voz insolente.
O corpo bem delineado estava coberto por um edredom de seda de qualidade excepcional, que deslizou suavemente, como água, ao menor movimento, mas seu corpo permaneceu imóvel.
“Frio...”
Uma brisa, escapando pela janela ainda entreaberta, passou por seu corpo, fazendo-a exclamar involuntariamente.
Com esforço, puxou o edredom caído, só então percebendo que não havia nada sobre si.
“O que... está... acontecendo?”
O medo tomou conta de seus olhos; seus dentes brancos morderam com força o lábio inferior.
Apesar da consciência turva, ela se obrigava a permanecer lúcida —