Um crime sangrento desencadeado por uma separação, uma conspiração urdida por uma organização. Para buscar a verdade, ele não hesita em arriscar a própria vida.
A noite começava a clarear lentamente, trazendo uma quietude singular à imensa cidade de Mar Brilhante. Exceto pelos operários de limpeza que trabalhavam sob a luz amarelada dos postes, quase não se via um único pedestre, muito menos algum veículo percorrendo as estradas.
Foi então que um grito agudo rompeu o silêncio da noite. Uma trabalhadora de limpeza, assustada, olhou para os próprios pés; sob as solas de seus sapatos, uma substância viscosa se espalhava, de cor vermelho-escura, pegajosa, parecendo papel machê. Com o vento, um odor metálico a envolveu, vindo não do lixo que segurava – apenas pequenos sacos plásticos de embalagens de comida – mas do chão, onde o líquido se acumulava.
Aproveitando a fraca iluminação, a operária olhou adiante, já suspeitando do que encontraria, mas ao confirmar, seu coração voltou a acelerar. Seu rosto ficou lívido, expressando medo, inquietação, confusão; uma sucessão de emoções impossíveis de descrever.
Pouco à frente, uma mulher jazia morta, deitada de maneira desajeitada. Vestia um vestido branco de renda, mas grande parte da roupa havia sido tingida de vermelho pelo sangue escorrido. No peito, uma faca de frutas estava cravada diretamente no coração, o cabo afundado na carne, o sangue se espalhando pela borda da lâmina.
O que mais surpreendia, porém, não era a brutalidade do assassinato, mas o sorriso estranho que marcava o rosto da morta. Não era uma expressão de dor ou terror, mas uma alegria incompreensível, doce e pura, como se sonhasse com algo belo. Em alguém vivo, aquele sorriso seria natural, mas nu