Zhang Dahai, um tolo de uma geração, por ter flagrado o caso secreto entre o chefe da aldeia e Yang Yan, foi, num acesso de fúria, lançado ao rio. Inesperadamente, porém, acabou recebendo a herança do Deus da Montanha: na mão esquerda, dominava o Jue da Chuva Espiritual; na direita, a Técnica de Exploração da Terra. Com isso, passou a comandar o vento e a chuva, impondo-se com grande autoridade.
Em junho, sob o céu ardente, as cigarras cantavam sem parar nos galhos das árvores.
Na Aldeia das Flores de Pessegueiro, sob um salgueiro na extremidade leste da vila, estava sentado um homem alto e corpulento, de físico robusto.
Ele sorria feito bobo.
Bobo demais.
Zhang Dahai observava, babando, algumas mulheres casadas que passavam pela estrada. As ancas largas e as curvas saltadas balançavam a cada passo, como se a cintura delas estivesse prestes a se partir.
Mas se alguém pensasse que Zhang Dahai estava cobiçando o corpo alheio, estaria completamente enganado.
Naquele momento, o que ele não tirava os olhos eram as cestas de bambu que elas levavam nas mãos, cheias de pêssegos gordos e tenros.
Atrás da aldeia, montanhas e colinas se cobriam de pessegueiros, e os galhos se envergavam sob o peso dos frutos, formando um mar de cores vivas e abundantes.
Os pêssegos eram, de fato, a maior paixão de Zhang Dahai. Jogar fora uma melancia para correr atrás de sementes de gergelim? Só um tolo seria capaz de tal coisa.
E, na verdade, ele era justamente o tolo mais famoso da aldeia.
Diziam que Zhang Dahai não era tolo de nascença. Pelo contrário, havia sido aprovado para a universidade de medicina. Mas, por ter ofendido o filho de uma família rica da escola, acabou tendo o cérebro destruído por uma surra.
Nesse instante, não muito longe dali, um jovem casal o observava e sussurrava entre si.
Especialmente o homem, que tinha os olhos ardendo de ansiedade. Mas não se engane: não havia nada de estranho naquele in