[Ao vivo + avaliação de tesouros + sistema] “Irmão, você é muito da hora, viu? A sua vidinha está cada vez mais com cara de dar cadeia.” “Irmã, essa sua pulseira é de quem se joga no mundo, ou é daquelas de frasco azul?” “Maninha, isso aí não é da dinastia Qing; parece mais de liquidação de estoque.” “Da semana passada, soldado na hora, de graça, de açúcar...” Jogue na cautela, não vá inventar moda.
“Mãe do céu, meu amigo!”
“Que diabos você esculpiu aí em cima?”
“São dois peixes, não é? Num pedaço tão pequeno de jadeíte, cabem mesmo dois peixes?”
“Cabem? Claro que cabem — e é justamente por isso que sobra demais; isso aí não é peça para se usar, não...”
O sujeito que berrava como se padecesse de uma crise de tireoide era um apresentador de transmissões sobre avaliação de tesouros que se tornara bastante popular nos últimos dois anos. Seu nome era Zi Xuan, mas, por causa da barba singular, comprida e pendente como os dois bigodes de um peixe-gato, os admiradores passaram a chamá-lo carinhosamente de Bagre.
Com o tempo, o apelido se espalhou tanto que muita gente já nem lembrava mais o nome verdadeiro de Zi Xuan; para todos, ele era apenas o professor Bagre.
Naquele dia, na sua primeira transmissão ao vivo desde que abriu o próprio negócio, ele não escolheu fazer avaliações por vídeo no estúdio; preferiu ir até o Mercado de Panjiayuan, transmitir enquanto percorria as bancas e ver se conseguia encontrar alguma pechincha rara.
Na verdade, aquilo era mais um chamariz. Quase todos os vendedores das bancas de Panjiayuan conheciam Bagre. Mesmo que ele se interessasse por alguma peça, ninguém venderia barato para ele.
E, para ser franco, sair por aí atrás de achados em banca de feira era pura tolice.
A maior parte do que se vê numa banca, além de ferramentas de obra, é coisa “da semana passada”, “soldada”, “de açúcar”, “oferecida” ou “funerária”; no máximo, pode aparecer algo do fim da dinastia Qing ou da Repúbl